Charneira 2007 parte II

_Seragini destacou a importância do designer ser um otimista. Precisa encontrar uma solução inteligente e sensata para a empresa vender mais. E esta venda está na inovação que o produto oferece. Recomendou outra leitura inspiradora, de Tom Kelley A Arte da Inovação, porque quando foi lançado era tido como uma receita de sucesso para os departamentos de venda das empresas, mas sob outra leitura possui um impacto maior no departamento de design e para os estudantes de design, para entenderem a importância que os objetos têm na vida das pessoas.

_Citou alguns cases de empresas que transformaram o design em foco de seus negócios. A Procter & Gamble, nos anos 80, inventa a gerência de marketing e alavancou suas vendas em mais de 30% nos anos seguintes. Há alguns anos, criou um departamento de estratégia, inovação e design, comandado por Claudia Kotchka e a pela filosofia de Open Innovation: 50% das idéias são compradas prontas, que podem ser usadas a qualquer momento.

_Como outro exemplo, destacou as 3 últimas empresas do ano escolhidas pela revista Bussiness Week. Apple, Google e Toyota destacam-se no mercado justamente pelo valor de suas idéias e as soluções de aplicação. O case iPhone é outra menção indispensável, justamente por seu impacto em um mercado já repleto de inovações tecnológicas, mas nunca antes reunidas em um produto com uma interface diferenciada aliada a um serviço de compra e venda de música e vídeos online já consagrado. No caso do Google, perguntou a todos na platéia o que eles fabricam…

_Finalizando sua palestra, até porque a direção do evento deu um gelo na agradável apresentação que ainda estava pela metade, Lincoln Seragini destacou a presença do design nas empresas como diferencial da marca+design+inovação como novo modelo de gestão, em um processo de criar idéias de valor e saber implementá-las com sucesso.

 

_Após o intervalo, tivemos a grata surpresa do grupo, coletivo, combo Visorama. Todas estes nomes sugerem que não são uma empresa comum, moldada nos moldes tradicionais. São responsáveis por vários videoclipes do projeto da Claro de novas bandas, curtas de cinema, outros vídeos que eles não tiveram coragem de trazer e um bem interessante do grupo Ira. Aliás, rendeu uma história bem interessante sobre o Nazi.

_Levantaram a questão clássica do design brasileiro: pra ser designer, precisa ter diploma universitário? Talento não se cria na faculdade, ou você tem ou pode tentar aprender. Mas deixaram uma lição interessante ao indicar que o valor do convívio com outras pessoas abrem muitas oportunidades, tanto de idéias, pessoas e permite descobrir com quem você pode e precisa se relacionar, citando como exemplo as parcerias de trabalho que originaram o grupo Elesbão e Haroldinho, ícones do engajamento do design no meio dos anos 90.

_Surpreenderam a platéia com um reel dos trabalhos apresentados, numa linguagem visual instigante aliada a uma edição rápida e bem inteligente, rodando num iBook turbinado. Exigiram dos estudantes o domínio de um universo visual, aprender a enxergar coisas diferentes nas mesmas coisas de sempre, para criar referências que servem de base em pesquisas e rascunhos dos trabalhos. E falando nele, a maioria dos trabalhos que surgem no coletivo nem sempre permitem a criação livre e nem são respostas criativas. Exigem uma postura mais pragmática, porque não dá pra pintar uma Guernica antes de fazer vários rascunhos, adicionada de muito exercício criativo mais a vivência dos problemas envolvidos com uma grande dose de dedicação.

_Um conceito bem objetivo deve ser fixado com o cliente, antes de trabalhar com o aspecto visual do trabalho. Relataram os diversos problemas encontrados no relacionamento com agências de propaganda, com verbas limitadas e idéias pré-concebidas ou copiadas de anuários de criação. Indicaram uma postura de designer 24 horas por dia, porque você não sabe quando uma boa idéia irá surgir, vivendo uma paranóia saudável na busca das melhores respostas.

_No trabalho da Visorama, aprenderam a tirar vantagens das limitações de verba ou de recursos para executar orçamentos sem base alguma de referência, com prazos malucos e incertezas de briefing mal captados. Perder a vergonha e perguntar sempre. Buscar incessantemente novos referenciais. E se um trabalho exige algo que você não sabe, precisa encontrar alguém que saiba fazer. E se o trabalho não te diverte, procure outra coisa pra fazer.

_O Visorama apresentou então um apanhado dos principais trabalhos, repletos de dificuldades que exigiram soluções que nem sempre estavam na tecnologia digital, mas em soluções tradicionais aliadas às ferramentas disponíveis.

_Neste primeiro dia de Charneira, um trabalho acadêmico dos alunos do 7º período, percebe-se a importância de trazer ao ambiente universitário novas idéias de como aplicar alguma coisa do conteúdo das disciplinas na realidade do mercado. Ao adotar uma postura mais crítica, no sentido de perguntar antes de tentar responder qualquer coisa e praticar este exercício à exaustão até que a resposta atenda à expectativa, cada trabalho exigidos pelos professores não deve ser feito somente visando uma nota. As amizades servem para ampliar esta busca, e firmar até possíveis parcerias em trabalhos dentro e fora da academia. Além de fortalecer as certezas de ter escolhido um caminho interessante de realização pessoal.

Na sequência, um resumo dos outros dias de palestras da Charneira. E para afinar um pouco o inglês, a Business Week traz uma reportagem sobre o World Design Congress, realizado em outubro.

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