…não é coincidência voltar a escrever faltando uma semana para o 3° período do 2° ano da universidade. Férias forçadas mesmo. Emprego novo, muito diferente do anterior, exigiu um recolhimento, um planejamento de carreira e de atitude que ainda não terminou. Está na hora de novos rumos, outra forma de ver, fazer, entender e de realizar. Não dá pra mudar pra ficar sendo o mesmo, em muitos sentidos.Algumas mudanças foram fáceis, outras ainda levarão um certo tempo, mas a mudança é essencial para atingir as metas estabelecidas. E conseguir ajustar as velas quando as coisas saírem de um jeito diferente.
…aproveitei a oportunidade para dar um pulo no campus, rever amigos e o clima de primeiro dia. A cara dos calouros é impagável. Mas acredite, não vou dar trote em ninguém.
…sempre sobra um tempinho pra não fazer nada. Então fui assistir, com certa expectativa, a Cloverfield, novo filme do já aclamado J.J. Abrams, criador da série Lost, Alias, roteirizou Missão Impossível III e há alguns anos, escreveu Armageddon. É um tipo diferente de filme, que pode causar estranheza para a maioria que espera filmes certinhos [introdução que explica tudo, mocinhos e bandidos, um herói fodão e um final bombático e/ou feliz]. Se vai ver o filme, deixe-se surpreender com a narrativa em primeira pessoa, a câmera trêmula e sustos bem produzidos. Sim, porque apesar do jeitão “YouTube”, é um exemplo do que pode ser feito com poucos recursos e muita inteligência criativa. E o monstro é um dos mais assustadores que já vi, e olha que ele não anda sozinho.
…Trote. Eis um assunto delicado no meio acadêmico. Tem gente que gosta, principalmente de aplicar nos calouros. Geralmente servem para constrager, impor o ridículo, vexatório, degradante. Outros acreditam que faz parte da cultura universitária, sempre divertida, um rito de passagem. O que mais falta, falando nisto, é inteligência na hora do trote. Herança militar, o trote é um tipo de passo diagonal, no qual as quatro patas do cavalo se movem par a par, uma anterior com a respectiva posterior oposta. Exige técnica e perícia do cavaleiro. Também veio com as caravelas de Portugal fugidas de Napoleão.Um ritual de iniciação do novo aluno ao mundo da universidade, à vida adulta, aplicadas na Universidade de Coimbra no século XVIII. Alguns calouros gostam do trote, sentindo-se aceitos pelos demais alunos, os veteranos. Mas suas práticas geralmente vão contra o caráter humanista das instituições. De qualquer forma, perdendo um pouco mais de tempo pensando nisto, percebe-se nesta prática um pouco do espírito que move o país, de obter vantagens através da pressão de grupos cujos interesses ferem os da maioria. O clima incivilizado ao qual se fomenta o trote passa longe do seu objetivo de dar boas-vindas aos novos integrantes. Porque antes de tornarem-se futuros concorrentes no mercado profissional, aprendem que o uso do constrangimento e de tarefas humilhantes está fundamentado como ideal de sobrevivência.