_Depois dos tradicionais reencontros no começo do ano letivo, a rotina das aulas recomeça a todo o vapor, com novas disciplinas na grade, dependências geométricas para resolver. Odeio este papel de simples observador da história. Não sei quando isto aconteceu, talvez conheça seus motivos, mas não consigo deixar a terceira pessoa do singular de lado. Estou nos cantos da sala, voltado para o restante dela, observando cada um dos outros 35 rostos que conheço, alguns bem, outros nem tanto. Uns poucos que não me toleram e tentam esconder em vão, por sorte minha. Daqueles que me oferecem privilégio de compartilhar um pouco de suas vidas, fico grato pela confiança. Voltar as aulas foi a melhor coisa que fiz ultimamente.
_Este ano tem Fatores Humanos, alegoria para ergonomia e a arte de fazer coisas parecerem confortáveis. Tem mais desenho à mão livre, meu segundo defeito como designer. Temos aulas de Ética [como é difícil discutir isto numa época em que as pessoas gostam de aparentar o que não são...], Composição das 10 às 12 do sábado, chovendo ou frio, quente ou seco. CAD para comprovar a geometria descritiva e pôr à prova meu primeiro defeito como designer. Temos uma turma reduzida este semestre, mais coesa por conta da convivência. Alguns colegas estão sozinhos, à procura ainda de novas companhias, enquanto outros já estão consolidados. Tem gente nova, de outros horários ou de outras universidades. Na sexta, a disciplina mais divertida nos coloca à frente de materiais que são apenas pensados.
_Não posso deixar de questionar se o curso vai atender algumas expectativas. Design de produto sempre foi visto como perfumaria para um empresariado que está acostumado a lucros sem investimentos. Porém, percebe-se que vivemos em design de produto o que a publicidade viveu há 20 anos, quando descobriram que anunciar amplia os resultados, quando devidamente pensada e criada para este fim. Sem um bom design, e em seus vários níveis de aplicação, produtos de uma mesma categoria podem se destacar no ponto de venda, entre outros fatores secundários que geram resultado de vendas, porque oferecem ao consumidor a tal “experiência” que tanto se fala no mercado. Sinto, em alguns momentos, a ausência da indústria na universidade, aliando necessidade à uma série de teorias que acabam se descolando da realidade.