O terceiro filme do Homem-Aranha traz dois novos vilões, mas apenas um tem sido mais destacado. Ainda não sei se o chamarão pelo mesmo nome dos quadrinhos, mas Venom é um dos vilões do Aranha que mais chamaram a atenção no final dos anos 80 e início dos 90 para as histórias do aracnídeo.

Este filme foca o conflito entre o herói e seu alter-ego. Apresenta 3 vilões, sendo eles o filho de Norman Osborn e seu legado como Duende Verde; Homem-Areia e o simbionte alienígena. Tem outras coisas escondidas, como os outros dois filmes anteriores. Por exemplo, o professor de Biologia que não possui o braço direito, é o vilão Lagarto nos quadrinhos. E qual será o papel de um loira chamada Gwen Stacy, que nos quadrinhos foi a primeira namorada de Peter Parker?
Mas vamos ao Venom. Publicada em dezembro de 84 nos EUA, as Guerras Secretas. Um pouco forçada sob alguns aspectos, mas isto é para outra ocasião, foi neste evento que o Aranha teve seu primeiro contato com o uniforme negro. Precisando de outro uniforme para preservar sua identidade, o Aranha descobre um equipamento que libera uma pequena esfera negra, que rapidamente torna-se líquida e recobre o corpo do herói. Transformando-se em qualquer roupa que ele desejasse e com um estoque infinito de teias, Peter Parker usa o uniforme no restante das Guerras Secretas e retorna para a Terra com a novidade.

Sentindo-se cada vez mais cansado, Peter descobre que o uniforme é um sensiente, um simbionte alienígena que se alimenta de adrenalina, e que controlava seu corpo enquanto ele dormia. Com a ajuda do Quarteto Fantástico, descobre que o simbionte é sensível ao som e consegue livrar-se do uniforme. Mas ainda o simbionte consegue fugir e persegue o Aranha até uma igreja, objetivando uma siombiose permanente com o hospedeiro. Ao fim da luta, cansado e rejeitado pelo Aranha, o uniforme une-se a um jornalista que estava na igreja, Eddie Brock.
Nos quadrinhos, a história de Eddie Brock e Homem-Aranha se cruzam um pouco antes destes eventos da saga do uniforme negro. Jornalista no concorrente Daily Globe, Eddie Brock ficou famoso ao publicar a identidade de um assassino conhecido por Devorador de Pecados. Mais tarde, o Aranha descobre a verdadeira identidade do vilão, porque o mesmo havia assassinado a capitã de polícia Jean DeWollff. Principal fonte e auxílio do Aranha no combate ao crime, e conhecida pela beleza e competência, a morte da capitã teve um forte impacto em Nova York. A descoberta da identidade levara Eddie Brock ao estrelato no jornalismo, e sua conseqüente farsa o levou ao fundo do poço, sendo demitido e tendo seu já conturbado relacionamento com seu pai ao fracasso total.
Odiando o Aranha, nesta conturbada relação de motivos fúteis e sem cabimento que só os roteiristas de quadrinhos conseguem criar, resolveu cometer o maior pecado que um católico pode fazer, o suicídio. Ao ir em uma igreja para pedir perdão [e justamente aquela onde o Aranha tentava se livrar do simbionte usando os sons dos sinos], Eddie Brock e o simbionte, unidos, podem executar suas vinganças.

Ao surgir no Amazing Spider-Man 299, em março de 88, a figura do Venom intimidava. Com o físico de halterofilista de Eddie Brock ampliados pelos poderes simbióticos do alienígena, suas mentes distorcidas por um senso de justiça e vingança desmedidos incentivavam as maiores surras no Aranha, além de incomodar parentes e amigos, pois o simbionte conhecia a identidade de todos os conhecidos de Peter Parker.
A trajetória de Venom nos quadrinhos foi confusa. Orientados apenas pelos gráficos de vendas, diversos roteiristas/desenhistas criaram histórias fracas, ou crossovers esquisitos, como o Venom brigando com o Wolverine, servindo de agente secreto do governo americano,rias fracas, ou crossovers esquisitos, como o Venom brigando com o Wolverine, servindo de agente secreto do governo americanocr ou tentando ser um herói melhor do que o Aranha. Foi clonado, surgindo outro vilão chamado Carnificina, e até a ex-esposa de Brock “vestiu” o simbionte, mas traumatizada pela experiência, acabou se atirando de uma janela, devido às memórias que o simbionte compartilhou com ela sobre Eddie Brock.

Os fãs sempre gostaram do uniforme negro. Fruto de mais uma jogada de marketing [onde heróis morrem e ressuscitam, trocam de uniformes, ganham outros poderes ou perdem os originais, etc], trouxe para os quadrinhos do Aranha um tipo de leitor acostumado com um visual mais dark e violento. Tanto que no auge da fama, o Aranha desenhado por Todd McFarlane vendeu 1 milhão de exemplares, em 1988, uma vendagem até hoje recorde.
Como produto, o Aranha dos cinemas tem origens, vilões e outros detalhes recontados para facilitar a compreensão da audiência e alavancar milhares de dólares pelo mundo afora. Uniforme é diferente, as teias são orgânicas, etc. Como fã, estou num dilema, porque a fama que o herói merece até como mito histórico na imaginação, está fundamentada mais na aparência que o cinema popularizou do que nas histórias publicadas nos últimos 35 anos. Não são todas bem escritas, existem coisas medonhas que ninguém gosta, mas outras nem deveriam ser tocadas. Mas isto é assunto para outro dia…